Estante Cultural | Grande Sertão: Veredas

Ao se dizer que Guimarães Rosa é o maior neologista da língua portuguesa, ou seja, a pessoa que mais cria novas palavras para o idioma, já temos um entender da grandiosidade da sua obra. Criar palavras não se limita a pegar letras aleatórias e uni-las. Por saber mais de vinte línguas fluentemente, a capacidade gramatical do autor é extraordinariamente gigantesca. Partindo desse ponto, Grande Sertão: Veredas já será visto com outros olhos.

A obra prima do escritor se dá no sertão do Brasil, onde acredita-se, seja retratado no livro desde o sul da Bahia até partes das Minas Gerais. Por citar lugares reais com locais fictícios, fica complicada a determinação precisa do cenário. Mas, de certo, se dá no sertão. Por sua vez, Riobaldo é personagem principal e também narrador da história que, desde o início, apresenta características próprias como o fato de ser um único texto corrido, sem divisões de capítulos, por exemplo. Apenas a presença de parágrafos serve para alguma quebra no discurso.

Voltando à grandiosidade gramatical do gênio que foi Guimarães Rosa, a maneira com que o livro foi escrito não pode receber outro adjetivo que não seja “boquiabertante”, se é que me cabe a possibilidade da criação. Dando-se de modo a parecer realmente um jagunço nos contando sua história de vida, é impossível não afundar na história que se conta e se desenrola com marcas de oralidades e uma presença estilística gritante de bela.

O livro foi tido como um dos cem maiores da literatura universal do século XX. A marca do autor na língua lhe rendeu inúmeras traduções e estudos fora do país natal, notável é a habilidade criativa do escritor.

Avaliação: ★★★★★